Revolta dos Malês (1835 – Bahia)
No lado oposto da rebelião gaúcha, que brigava pelos interesses da elite do Rio Grande, estava a Revolta dos Malês, ocorrida na Bahia, que foi uma revolta de escravos e negros libertos contra os maus-tratos e discriminações que sofriam. Metade da população de Salvador era formada por negros, a maioria escravos de ganho que faziam todo tipo de serviço para sustentar seus donos. A situação dos negros em Salvador era peculiar.
Muitos deles exerciam pequenos
ofícios rentáveis: eram alfaiates, carpinteiros, vendedores ambulantes,
acendedores de lampião.
Esses trabalhadores deviam parte de seus ganhos a seus
senhores e chegavam, em alguns casos, a comprar a liberdade.
Por causa de suas atividades, esses escravos tinham origem islâmica, de onde se origina o nome malê, que servia para identificar os negros que sabiam ler e escrever em árabe.
Os malês eram tradicionalmente rebeldes, mas, em 1835, resolveram se armar e fazer uma revolução para matar os brancos e mulatos, libertar todos os escravos e fundar uma nação negra. A sociedade secreta que tramou a revolta contava com cerca de 1500 adeptos, entre escravos e negros forros. A insurreição foi denunciada e sufocada antes mesmo da eclosão; os malês ainda lutaram por alguns dias, mas foram massacrados pelas forças regenciais. Muitos negros foram presos, torturados e mortos.
A repressão foi severa e pretendia acabar com todos os participantes da conjuração; no fim, os mortos foram em sua maioria negros libertos, porque os senhores de escravos intervieram a favor de seus cativos, já que não estavam dispostos a perder o seu patrimônio. Foram
proibidos de circular à noite pelas ruas da capital e de praticar suas
cerimônias religiosas típicas.
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