Cabanagem (1835-40 – Pará)

No Pará, a pobreza e o abandono da população que vivia em cabanas às margens dos rios levou índios, mestiços e escravos a se armarem contra o governo provincial instalado pela Regência. No primeiro momento, os cabanos uniram-se à elite rural paraense, mas a aliança durou pouco, uma vez que a aristocracia queria apenas que o governo da província fosse exercido por um de seus membros, sem romper com o restante do império, enquanto as camadas mais pobres entendiam que suas dificuldades econômicas só seriam resolvidas com mudanças políticas.
O isolamento da província do Pará levava-a a ignorar, na prática, as determinações do governo regencial. No final de 1833, o governo nomeou o político Bernardo Lobo de Souza presidente do Pará. Lobo de Souza valeu-se da repressão para impor sua autoridade na província, o que fez crescer contra si a oposição local.
Líderes como o padre João Batista Gonçalves Santos, o fazendeiro Félix Antônio Clemente Malcher e os irmãos Vinagre - Francisco Pedro, Manuel e Antônio - armaram uma conspiração contra o governador.
Em janeiro de 1835, o governador foi assassinado. Os rebeldes ocuparam a cidade de Belém e formaram um governo revolucionário presidido por Malcher, que defendia a criação, no Pará, uma república separatista. Entretanto, o novo governador mantinha estreita relações com outros proprietários locais e decidiu permanecer fiel ao Império.
Já vimos em outros acontecimentos que a aristocracia rural apoiava as rebeliões populares enquanto as reivindicações destes não colocassem em risco os seus privilégios. Na Cabanagem, aconteceu o mesmo, ou seja, quando as reivindicações dos cabanos começaram a se tornar perigosas para eles, os grandes proprietários abandonaram o movimento.
Por isso, o movimento radicalizou-se. Líderes populares, como Antônio Vinagre e Eduardo Angelim, refugiaram-se no interior da província, em busca do apoio das populações indígenas e mestiças. Foram então as pessoas pobres, que moravam em cabanas, que assumiram a luta pela independência do Pará.
Os cabanos conseguiram montar um grupo de 3000 homens armados e, em agosto de 1835, tomaram Belém. Foi a única revolta da história do Brasil que resultou na tomada de poder por membros das classes dominadas; esse poder durou apenas nove meses porque os revoltosos não tinham um plano de governo definido, os desafios eram muito grandes já que a situação de miséria atingia quase toda a população paraense e, finalmente, isolados, não receberam ajuda externa nenhuma.
Quando as tropas imperiais chegaram, não tiveram grandes dificuldades em vencer os rebeldes. Os que fugiram foram perseguidos até serem capturados e mortos; o combate aos cabanos foi tão excessivo que, calcula-se, exterminou 40% da população do Pará.

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